As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

mistura de ano novo, parte 1

Os evangelhos são um conjunto de histórias que circulavam na memória dos discípulos e discípulas de Jesus Cristo e foram posteriormente fixados por escrito. A organização "cronológica" dessas narrativas, assim como as suas intenções teológicas e pastorais, dependeram de cada uma das quatro comunidades e personagens envolvidos na sua preservação (Marcos, Mateus, Lucas e João). Por isso, observar como algumas histórias estão colocadas no texto bíblico trazem muito mais "calor" a nossa leitura.
Ainda sob a inspiração do ano findo e do meu sabático, compartilho uma história dos evangelhos que balizou minha decisão. O proto-texto é Marcos 6, 30 e ss. Nós geralmente concentramos nosso olhar na experiência coletiva da multiplicação dos pães e peixes ou de como Jesus e os discípulos alimentaram mais gente do que parecia humanamente possível. Mas me interessa muitíssimo o que está na introdução dessa maravilhosa experiência de compaixão. Nos versículos 7 e ss.do capítulo 6, lemos que Jesus enviou os doze para fazerem sem ele a tarefa de pregação e alívio das dores do povo. A história de João Batista interrompe essa sequência e a retomamos no versículo 30 quando estes mesmos doze contam a Jesus tudo o que tinham feito e ensinado. Ao ouvir seus apóstolos, Jesus faz algo até então despercebido para mim. Ele diz textualmente: " Venham aqui à parte, a um lugar deserto (leia-se , sem pessoas), e descansem um pouco. " Para clarear ainda mais a necessidade desse tempo de descanso sem gente, o versículo continua com a justificativa:" porque fazia muito tempo que iam e vinham, sem tempo até para comer". E o texto continua dizendo que foram sozinhos, portanto, para um lugar deserto. Nossa sociedade despreza o ócio, olha com desconfiança/menosprezo para o desejo ou a necessidade do descanso. Esta sociedade teme ser obsoleta!
Se deixarmos, entramos nesse mesmo espírito do tempo. Acrescentando a isso a ideia de que , como escolhidos por Deus, devemos ser incansáveis. Já pensei assim, já me cobrei muito por isso, mas estes poucos versículos me deram uma nova perspectiva.
É claro que a multidão os seguem, procura por eles, têm necessidades. A multidão sempre terá necessidade, carências a serem supridas. A vivência cristã no mundo sempre produzirá solicitações imperativas, mas Jesus olhou para seus discípulos  e verificou que depois de tanto fazer e ensinar, é necessário, nem que seja um pouco, descanso no deserto.

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