As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Eu não devo ser estuprada!

Eu não mereço ser estuprada.
Afirmar que uma mulher, moça, adolescente e criança merecem ser estupradas, porque decidiram sair de casa com pouca roupa ou porque têm este ou aquele comportamento é transformar pessoas em um monte de carne. Carne humana a ser devorada por um outro que não lhe enxerga como pessoa, mas como alimento de neuroses, vilanias, perversões, insatisfações, inconsequentes alienados e reprodutores passivos de mentalidades machistas.
As mulheres não são coisas!
Mulheres são pessoas! 
Se alguém deseja nadar nu, em nossa sociedade, será preso por atentado ao pudor coletivo, mas ninguém está autorizado a violar sem consentimento este corpo nu somente pela sua nudez.
Como é pra mim doloroso saber que este discurso, na boca das mulheres entrevistadas, é a aceitação passiva de uma educação machista, com forte influência religiosa. E como essa pesquisa não alcançou o universo da religião no qual um número significativo de esposas são violadas, sem consentimento, coisificadas, com a complacência de pastores e irmãos e irmãs espirituais que ensinam que isso faz parte do pacote divino da submissão feminina imagina-se que o resultado seria ainda mais perverso. Deve-se sofrer calada o estupro do corpo e da alma, porque, segundo eles, Deus mesmo quis assim.
A jornalista denunciou as recentes ameaças de "gente de bem". Nas redes, podemos ver e ler como as pessoas se sentem à vontade em revelar sua face "oculta". Imagens, textos em defesa do estupro, piadinhas sexistas e, por fim, uma ameaça formal de estupro a jornalista. Por que? porque ela é mulher e porque está falando demais.
Estamos é falando pouco! Há muito silêncio entre nós! É preciso não se intimidar nem com homens, nem com mulheres portadores desse discurso diabólico e insano. É preciso gritar muito denunciando a pequenez destes homens, crentes ou não, que se consideram no direito de violar sem consentimento nossos corpos.
É preciso, ainda, como mulheres, não reproduzir esta educação do mal às meninas e meninos sob nossa responsabilidade. Implica, portanto, tomar um posicionamento firme contra a moral deformada de comerciais, revistas, reality shows, programas de humor, entre outros objetos de "cultura"  para as massas que reforçam estereótipos da coisificação das mulheres. É preciso, inclusive, entre os crentes, resistir ao discurso que nega às mulheres o que foi conquistado por um homem compassivo na cruz.
Eu não mereço e não devo ser estuprada!
Os homens e mulheres que representam o que há de mais doente em nossa sociedade, e que estão entre nós, camuflados de respeitabilidade financeira, social ou religiosa, estes, sim, merecem e devem ser revelados em sua nudez grotesca.

Pra. Silvia Nogueira  

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