As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

sábado, 19 de abril de 2014

Viver!



Parafraseando Paulo à respeito da fé na ressurreição:
Se a vida não puder superar a morte, somos as mais miseráveis das pessoas.


sábado, 12 de abril de 2014

para que viemos?

No evangelho de Marcos capítulo 1 iniciamos a leitura de uma narrativa vibrante e dinâmica sobre Jesus de Nazaré. Logo no início há uma preocupação com uma especie de continuidade de ações, já que para Marcos, Jesus inicia a sua pregação sobre o Reino após a retirada de cena de João Batista. É o evangelho do filho de Deus com  toda a carga de situações miraculosas e extraordinárias que devem envolver um tipo de aproximação do Sagrado. 
Uma pergunta fortuita dos estudos sobre Jesus nos evangelhos, sobretudo em Marcos, é se ele teria plena consciência de quem ele era. Gosto de afirmar que, assim como Paulo, e a maior parte dos adultos autoreflexivos, Jesus tinha uma profunda consciência de sua missão, do seu lugar no mundo. Sei que as identidades estão sempre em processo, mas na fase adulta, parece que não construímos o-que-há-de-vir do nada. Parece, pelo menos pra mim, que vamos agregando por seleção ora consciente, ora não, aquilo que mais se afina com o que já somos agora.
Tenho também uma intuição de que essa consciência do que somos, logo, para onde nos encaminhamos na vida é fundamental para nossa saúde. Apesar de cada dia ser novo, apesar de cada momento ter novas solicitações, apesar da flexibilidade dos nossos planejamentos internos e externos. Há algo perceptível que nos move. Talvez dinheiro, poder, sucesso, sexo, família, religião, política, entre outras zilhões de possibilidades. 
Jesus, em Marcos, tinha algumas certezas fundamentais. No versículo 38 do capítulo 1, afirma para os discípulos: "foi para isso que eu vim". No contexto: pregar o evangelho e curar as pessoas de suas mazelas. Trocando em miúdos, Jesus veio para os outros. Para mim e para meus colegas do ministério pastoral isto é um pouco desconcertante. Uma existência inteira dedicada aos outros é algo realmente desafiador. Se a resposta de Jesus não faz eco em alguns (ou todos) os momentos de nossa vida, transformar a afirmação em pergunta já alimenta por si só muitas noites de insônia.
                        

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ditadura, nem mesmo a de Deus, parte 1






Nestes 50 anos desde o golpe civil-militar no Brasil, nós mudamos muito e a humanidade também. Aliás, a marca deste nosso tempo comum é justamente a rapidez com que as coisas mudam externamente. Por dentro, o ritmo é lento. Resistimos, encastelados em nossa sadia ou doente idiossincrasia. A antiga série da HBO "Galáctica" está oficialmente entre as minhas preferidas. Assisti tudo compulsivamente. O roteiro ilustra bem o que disse acima. O tempo passa e parece que estamos fadados a repetir erros, manter sentimentos megalômanos, violências, exclusão. Usamos os deuses para nos justificar ou os matamos para justificá-los em suas aparentes omissões diante daquilo que fazemos conosco e com os outros. Galáctica serve à mentalidade do eterno retorno. 
Gostaria de pensar e dizer aos filhos que jamais terei que algumas coisas não retornam mais. Que após um longo e doloroso processo de aprendizado, compreendemos a vida. A vida! Uma abstração! Sim, uma construção discursiva entrelaçada à experiências sensórias. A vida, calorosa na sua simplicidade cotidiana: o vento, o sol, a chuva, a terra, os seres vivos. Tudo que nos atinge em nossos corpos, em harmonia ou em inquietação. Vida, em níveis subjetivos e pessoais de complexidade. Vida como potência do que sonhamos! Compreendemos a vida e, portanto, filhos que não terei, não repetiremos o sofrimento que causamos. Em nome de nada, nem de nossa fé, nem de nossas ideias, repetiremos nenhuma especie de barbárie.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Vozes que clamam fora do deserto ?


 Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Isaías 40
Lendo o livro "Profetas e profetisas na Bíblia" de Jacir de Freitas Farias parei no trecho relativo à João Batista. Personagem ícone de um tipo específico de profetismo no ambiente do judaísmo, João precisa ser constantemente visitado. Nos evangelhos canônicos, João Batista tem especial destaque em Lucas. Ganha status similar a Jesus nas narrativas de nascimento, apontando sua importância ou uma grande curiosidade para a comunidade lucana, visto que as histórias de Jesus e João se intercruzam. O livro de Jacir chama a atenção para o ser profeta no deserto. Não desce a fundo nessa questão, aliás, que merece ser investigada pela pesquisa bíblica (se já não o foi), já que, como disse, o deserto é parte integrante em João de um certo tipo de profetismo, talvez em ostensiva oposição às cidades e as suas instituições, ou ainda, como eco saudosista ( mas não menos militante) de uma experiência mais rural, familiar e simples.
O deserto nos mantém afastados da maioria. Influencia as pessoas, é claro, mas nos isola do convívio. Batista, por exemplo, tinha discípulos e tinha também uma influência junto ao povo temida por Herodes. No embate entre o profeta e a cidade, este profeta perde.

O texto de Farias gerou em mim uma suspeita tangencial. 
O que é ser profeta fora do deserto?  

O que significa viver misturado às gentes, todas diversas? O quanto de trabalho e de força precisa ter a mensagem profética de um oráculo imerso no mal, no burburinho, dentro das instituições mofadas e pernósticas do nosso tempo? De que forma resistir sem deixar-se perder?

Pra. Silvia Nogueira     

segunda-feira, 7 de abril de 2014

o poeta tem razão


_ O que me importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte ?
O que eu vejo é o beco.