As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

sábado, 24 de maio de 2014

terça-feira, 20 de maio de 2014

filiações de pastoras nos estados de MT, MS, RS, PB



Parafraseando Jesus em Mateus 5,20: "se os religiosos seguidores do cristianismo neste tempo não superarem a mentalidade legalista dos religiosos de todo o tempo, não faremos parte do Reino e o Reino não fará parte de nós." A lei sempre terá uma função importante, assim como os ritos, de regularizar a vida em grupo. Mas Jesus colocou em seu discurso um "eu, porém, vos digo", com ênfase na conjunção adversativa, impossível de ser negligenciada. A lei é boa, mas produz cegueira sobre o que é mais importante. Para Jesus, a vida e as boas relações eram sinal da presença de Deus e a "tangebilidade" de sua vontade. 
Saibam que aqueles que se sentem oprimidos sempre recorrerão às conjunções adversativas do Mestre. Isso porque elas não são apenas discurso bonito, mas potência operativa. Pra usar um termo contemporâneo: Jesus "empodera" discursivamente e operativamente o indivíduo que se sente oprimido pelas forças religiosas e seculares do seu tempo. Aqueles homens e mulheres que conhecem esse Mestre do "porém", lutam pela libertação.
Volto a afirmar que a decisão da ordem dos pastores batistas do  Brasil e ,agora, as decisões estaduais, não modificam a legitimidade de todos os concílios e ordenações pastorais de mulheres até então. Nós e nossas comunidades de fé, nos apropriamos do "porém" cristológico há muito tempo. O resultado da assembleia de janeiro é positivo porque retira a tensão das comunidades e vocacionados, favorece a visibilidade das ordenações. 
Já as decisões estaduais majoritárias (84%, 58%, etc) indicam um desejo destes nossos irmãos pastores de exceder/superar/ a justiça sem misericórdia dos escribas e fariseus denunciada por Jesus no sermão do monte. Fico tremendamente feliz por testemunhar este momento de revisão da ordem. Ainda mais com a possibilidade de renovo no espírito de solidariedade entre os colegas que a presença das pastoras pode vir a possibilitar. Logo, é uma conquista deste nosso tempo e deve ser celebrada.
Aliás, os pastores fluminenses e cariocas precisam decidir sobre as filiações urgentemente. No quadro geral das ordenações no Brasil, o estado do Rio de Janeiro é o de maior percentual. A justiça também precisa exceder por aqui.
Quanto a mim, sigo na decisão de não-filiação. E é imperativo afirmar o porquê, pois esta é a missão que recebi: Todo o poder vem de Deus. Se ele me "empoderou" com a vocação, eu disse "sim". O poder de confirmação, ordenamento e deslocamento pastoral é, entre os Batistas, da comunidade de fé. Qualquer pensamento diferente disso, entre nós, com nossa forma de governo, com nossos princípios, é de procedência humana/maligna. Não consigo esquecer essa verdade e sempre que possível, irei lembrá-los também.
A Ele seja glória e honra, assim como ação de graças pela existência da Igreja.

perspectiva


Uma parede ou um telhado?
Uma sebe ou a copa de uma árvore?
Mudar o ângulo da câmera muda tudo!

É palavra de Deus ou do homem?
É belo ou feio?
o ângulo muda tudo!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

cogito

Nos últimos 6 anos, tenho me preocupado em como serei lembrada. Parece uma estupidez alguém ainda jovem, em uma época de espetacularização e futilização da vida, ficar pensando no seu próprio "legado". Eu mesma questiono isso, inclusive porque talvez esse sentimento/comportamento revele uma autoimagem megalômana, como se minha vida tivesse importância vital para a humanidade. "Eu que sempre apostei na minha paixão"...Eu, que sempre achei que faria algo grande a ponto de entrar para a História. 
O divã explicaria muita coisa sobre mim. Mas resisto a ele motivada por uma racionalidade duvidosa sobre minha própria capacidade de verbalizar, racionalizar e nomear as coisas. Tenho mais confiança em mim do que nos outros. Sim, tenho uma desconfiança "natural". Sim, tenho um fortíssimo instinto de preservação que falhou apenas em dois momentos na minha história. Um, amoroso; outro, profissional. A estes dois momentos eu reputo a perda na crença nos "truísmos". Perder a inocência fratura a alma.
Para quem já leu "Grande sertão:veredas" de Guimarães Rosa, conhece bem a figura de Riobaldo. O que me impressiona no texto é como ele vai narrando sua história solicitando ao "doutor" ouvinte e a nós,  leitores, uma certa solidariedade com ele. Gosto do jeito como ele se justifica diante da memória de Diadorim, gosto do jeito como ele "investiga" sua história para tentar responder o irrespondível:"a gente vive pra quê?", "a quem responsabilizar pelo fracasso ou sucesso de nossa história?"
Um crente piedoso teria uma resposta direta para as duas questões. Não sou piedosa! Percebo, neste momento da minha caminhada, que é praticamente impossível uma ideia simples responder a questões complexas.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A inveja mata


Nós não gostamos de admitir, mas sentimos inveja muitas vezes. Às vezes, em muitos momentos de um mesmo dia uma série de situações e interações nos despertam a famigerada.  Processo complicado é quando em um momento inesperado, eu (e você) somos pegos pela semente deste mal que parece apontar para aquilo que nos falta, sim, mas para a falta da solidariedade e alegria com aquilo que o outro naquele momento possui. Ou seja, a inveja aponta para duas realidades difíceis de suportar: a ausência do que queremos e a ausência da empatia com o próximo.
Pois bem, lendo os twitter fiquei, recentemente, com inveja de um cidadão.  A felicidade dele me atingiu como uma bala perdida no peito. Não sabia de onde vinha aquela sensação ruim, mas ela estava lá, comendo minha carne, afetando órgãos vitais. Definitivamente não gosto da sensação de não saber nomear as coisas. Quando tenho o nome, sei, e, portanto, posso lidar com o que for necessário lidar. Ruminei um tempo e cheguei a conclusão: pura inveja!
O provérbio no capítulo 14,30 sentencia: "O coração com saúde (em algumas versões com paz) é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos". Não é necessário ser um grande hermeneuta para perceber a oposição positiva e negativa do texto. Inveja não faz bem a saúde, não constrói, não é uma atitude positiva, nem agregadora de qualidade de vida. Nada novo. Mas penso na oposição positiva do provérbio:" o coração com saúde" ou "o coração em paz". Matutei de novo, assustada: A inveja nasce, então, do meu desassossego? a inveja nasce do desequilíbrio com minha própria vida? a inveja nasce das minhas incompetências e frustrações?  "Tem solução, doutor?" Deve ter. E é melhor eu procurar! 

sábado, 3 de maio de 2014

saudade


Saudades de Campos. Tempo das primeiras coisas. A foto do Coreto foi tirada na praça perto do pensionato onde eu passeava depois do almoço. Gostava de pensar na vida, na intensidade de minhas descobertas teológicas e existenciais. Voltei lá no ano passado. Tudo diferente, menos o coreto...