As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

eu ainda não calei os meus desejos




Javé, meu coração não é ambicioso, nem meus olhos altaneiros. Não ando atrás de grandezas, nem de maravilhas que me ultrapassam.
Não! Eu fiz calar e repousar meus desejos, como criança desmamada no colo de sua mãe. Salmo 131


Os salmos são visitados há séculos em momentos litúrgicos ou de devoção. O motivo parece óbvio. Esses poemas dão voz a muitas inquietações de nossas almas. Verbalizam uma piedade que reflete as considerações que fazemos quando nos relacionamos com os outros e com o nosso tempo.
Este, colocou-se diante de mim como espelho. Somos seres desejantes e quanto mais conhecemos , mais nosso desejo se dilata. Esta sociedade fabrica desejos o tempo todo. Em geral, relativos ao consumo de mercadorias ou de mercadorias travestidas de ideias. Difícil resistir ao desejo.
Como jovem, meu coração era ambicioso, meus olhos altaneiros, corria atrás de grandezas e maravilhas. 
Até recentemente essa era minha sanha. 
Muita coisa mudou e se acomodou depois de um longo ano de escuta interna e que ainda continua dando sinais de continuar assim por muito tempo.
Ainda desejo muito algumas coisas, consideradas vitais e ainda não alcançadas. A serenidade é uma delas, apenas para constar. Dar conta de um desassossego crônico diante da vida, é outra. Outros desejos  já se calaram e repousam satisfeitos ou enterrados no tecido do qual somos todos feitos: memória e pó.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Uma grata surpresa!


Envelhecer é ter frio ?



Sendo, pois, o rei Davi já velho e entrado em dias, cobriam-no de vestes, porém não aquecia. Então disseram-lhe os seus servos: Busquem para o rei, meu senhor, uma moça virgem, que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele, e durma no seu seio, para que o rei, meu senhor, aqueça. 1Rs 1,1-2

Há experiências humanas inevitáveis, como morrer, por exemplo. Não nos acostumamos a pensar na morte, a não ser quando nos abate a doença ou quando participamos de seu feio espetáculo nos sepultamentos alheios. Por um breve instante, a vida nos assola na sua fragilidade e limitação, para, em seguida, nos convidar a celebrar e seguir em frente. Porque a vida em nós é mais forte do que a morte.
No interregno entre o nascer e o morrer, está nosso caminho. Nele, acumulamos saberes, bagagens emocionais boas e más, escolhas boas e más,  mas também jogamos fora ou vemos se perder outras tantas coisas boas e más.
O rei Davi envelhece despojado de algo que lhe aqueça o corpo e a alma. Triste isso! Fácil de acontecer quando caminhamos jogando fora pessoas que nos são caras, ideias e paixões que nos movimentam e alentam nosso descanso. O texto do eclesiástico ressoa: como esperamos colher na velhice o que não plantamos na juventude? Percebam que dinheiro e poder transformam-se em peles que não aquecem, incapazes de solucionar o desconforto.