As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

sábado, 24 de janeiro de 2015

95ª assembleia da CBB: torres X pontes



Desde a época dos primeiros homens, segundo o texto bíblico, as pessoas sonhavam em construir torres que alcançassem o céu. Metáfora com excesso de sentido, a preferência e a avidez pela construção de monumentos como  esse  podem significar o desejo humano de superação da divindade, o autoelogio pelo engenho humano, a afirmação do poder, etc. Construções verticais podem fazer jus a habilidade humana, mas nunca foram muito boas para aproximar pessoas. Na verdade, a torre exclui, segmenta. É sectária, por excelência. Projeto recorrente fadado ao fracasso, mesmo sendo sinal de sucesso e luxo nos encastelamentos reais e simbólicos.



Por outro lado, as pontes são belamente horizontais, literal e metaforicamente. Encurta distâncias, minimiza perigos, aproxima, convida à circulação, ao trânsito de pessoas. Construir pontes exige habilidade e engenho, mas seu propósito é sempre benéfico. Possibilitar encontros. Há mais inimigos para a construção de pontes do que de torres, tenho visto.
O tema deste ano da CBB "Integralmente submissos a Cristo" é um convite a pensar em pontes, não em torres. Os lugares altos da caminhada do Cristo foram palcos de insegurança e morte. E seus gestos priorizaram o encontro, a aproximação, as pontes simbólicas do afeto e do interesse pelo outro.
Não é demais falar novamente do que espero desse encontro da irmandade batista. Espero justamente irmandade. Sobretudo na questão da presença das pastoras na reunião da OPBB e nos corredores e plenário da assembleia.
Ano após ano, temos visto avanços, sem dúvida, singelas pontes de madeira sendo construídas. Mas ainda permanece em muitos irmãos o desejo do encastelamento. Construindo torres em estilo clássico , esquecendo da irmandade que nos coloca na mesma posição, ainda que em lados opostos da mesma ponte,
Qual a história que contaremos após a assembleia em Gramado ? Que construímos torres facilmente derrubadas ou que construímos pontes, do jeitinho do Cristo?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

não é rascunho, não. é a vida mesmo.

Museu de Nápoles. Afresco Romano.
Iniciei 2014 com a ideia de uma vida à lápis. Uma vida que poderia ser reinventada, reescrita, redimensionada, retocada, etc. A metáfora nasceu da fala do protagonista do excelente filme  "Narradores de Javé" que em determinada cena dizia ao povo da cidade que seus pensamentos eram à lápis. Penso que o narrador de si mesmo precisa ter por perto a humildade da borracha, o destemor do lápis e a resiliência do papel. Talvez nesse conjunto simples de disposições internas, a vida se apresente boa o suficiente para colocar um sorriso em nossos lábios, mais vezes do que seria permitido. 
A mesma ideia norteia esse novo início. Se colhi bons frutos, devo estar em um bom caminho.