As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

DIÁRIO DO 2º CONGRESSO BRASILEIRO DE PASTORAS BATISTAS E VOCACIONADAS DA CBB




Dia 9

A chegada ao Acampamento Batista Capixaba foi como chegar a Betel. A casa de Deus, onde Ele mesmo deseja estar e onde nós, suas filhas, queríamos muito estar. Se no primeiro congresso, em Campos, a vontade de estar junto foi maior do que as adversidades, neste ano, as adversidades foram a mola propulsora da certeza de que deveríamos estar juntas, pois Deus mesmo estaria conosco. Que sensação maravilhosa!  
Como nada que realmente seja bom é feito sozinho, a recepção, a instalação, a organização das pastoras Edinara e Andrea Carinss foram excepcionais. Tudo feito com muito trabalho voluntário e muito, muito amor.
Pras Zenilda, eu, Andrea, Edinara
  
Longos abraços, os primeiros olhos marejados, a alegria superando o cansaço.




Pra. Edinara falou sobre nosso tema #EUDISSESIM , desafiando-nos na carta a Timóteo a ter certas qualidades fundamentais para o cumprimento de nossos ministérios.
Pra. Edinara Dutra, IB Vitória, ES
E a banda SAME? somente servas, meninas de Deus, talentosas, dedicadas. Tanto o nome (iguais) quanto a mistura de nossas histórias desde Campos têm feito dos momentos de adoração algo muito especial. Deus seja louvado pela vida da Pra. Raquel por ter colocado a banda SAME na nossa história. 
integrantes da Banda SAME

Dia 10

manhã

Noite de sono reparador e muita conversa. Foi a melhor ideia ter um lugar onde todas estivéssemos juntas nos 3 dias do congresso. Sem a generosidade dos pastores capixabas, tudo seria mais difícil.
Pra. Amélia, da cidade de Jales, interior de São Paulo, ministrou sobre como somos parceiras confiáveis de Deus.
Pra. Amélia, à direita
Talvez, por isso, estejamos todas envolvidas em um movimento de intercessão que também nos movimenta. Somos muito conscientes da dependência que temos da Graça de Deus.
guerreiras de oração


 tarde

Em cada momento de reunião há espaço para testemunhos e essa experiência tem aberto nossos corações para a identificação de nossas histórias, para a construção de um sentimento de sororidade que nos empodera.










T


Pras. Edinara, Eunice e Andréa


Tarde

No painel coordenado pela pra. Andrea Carinss, pastoras de vários estados responderam questões sobre a presença feminina na educação teológica e a construção de uma memória coletiva entre os Batistas sobre a consagração de mulheres ao ministério pastoral.

Noite



À noite tivemos a presença de pastores da região. Pr. Ebenezer, de Linhares, ES, foi o pregador da noite. Ficamos gratas pela Palavra de conforto e desafio.
Pr. Ebenezer e esposa

Finalizamos nosso culto com a Ceia do Senhor, ministrada pela pra. Maralúcia, emoção que não cabia em nós.

Pras. Andrea e Maralúcia
 Dia 11

Manhã de Domingo


Na força dos nossos encontros anteriores, decidimos que continuaremos por hora nossos ajuntamentos para encorajamento e cuidado. Em 2017, portanto, nos reuniremos na cidade do Rio de Janeiro.
Finalizamos nosso encontro com a palavra cuidadora da pra. Gleice sobre os novos arranjos familiares e a família pastoral.  
Pras Gleice, RJ e pra. Márcia , MT

A sensação na despedida e ainda agora é a mesma. O Senhor visitou suas servas e nos encaminha para o despertamento de vocações e para o exercício pleno do ministério pastoral nas igrejas de Jesus chamada Batista. Venceremos todos os obstáculos, porque Ele mesmo está conosco.
A Ele, pois, seja a Glória!



















quinta-feira, 8 de setembro de 2016

o medo das palavras

O medo das palavras é um medo antigo.
Palavras mudam realidades, causam revoluções ou as sufocam, promovem o bem ou o mal ou, ainda, uma zona indeterminada entre um pólo e outro da captura do Real.
Palavras nas mãos de idealistas, poetas e profetas, intelectuais e gente com poder, podem muito! Sim, podem muito!
Por isso, o medo das palavras é um medo antigo.
Um colega de ministério pastoral e amigo  tem escrito sobre "qual palavra você precisa para viver" , ideia extraordinária! pois coloca o leitor diante da reflexão sobre as palavras que amamos, precisamos, são inúteis ou tememos.
Nem sempre as palavras que tememos são ruins, trazem conteúdo negativo ou destruidor. Porque o medo não é apenas o medo do mal/mau. O medo tem muitas gêneses. 
O medo provocado pelo instinto de sobrevivência, pelo egoísmo e pela ganância às vezes temem palavras libertadoras. E o medo do desconhecido, então? o medo das mudanças que não controlamos e que irá nos desinstalar de alguma forma?
E o que podemos dizer do antigo medo das palavras que são utilizadas para rotular os sujeitos portadores de palavras divergentes?
 E, a mais terrível das reflexões, quando nós mesmos devemos nos questionar sobre o que fazemos com as palavras que escolhemos para viver, lutar e morrer.

Eu também tenho medo de certas palavras, mas das que eu não tenho - mesmo que causem a outros temor - elas parecem viver na minha garganta sempre dispostas a escapulir e fazer o percurso cuja volta é impossível.
O mundo foi feito pela linguagem. Este mundo continua sendo feito pela linguagem. Sou gratamente responsável por cada uma das minhas palavras, em especial, aquelas que incomodam a ponto de fazer ressurgir os antigos e autoritários medos.

sábado, 3 de setembro de 2016

Alguém segure essa ordem

Em tempos de retrocesso  travestido de avanço,  é oportuno olhar para a  história.
No dia 26 de junho de 1999 fui examinada por um concílio de pastores que atenderam a convocação da igreja local, na periferia de São Paulo, nas dependências da própria igreja.  Visto que,  até aquela época, pelo menos,  a tradição conciliar dos Batistas reconhecia que o exame e a futura consagração do ministro era um processo comunitário,  assessorado e não protagonizado pelo Colegiado de pastores Batistas. Fui aprovada pelos colegas.  Em 10 de julho deu-se minha consagração e posse como pastora titular daquela comunidade de fé.
De lá para cá,  tenho transitado, como pastora Batista que sou, em muitas outras igrejas para além da PIB Campo Limpo.
Muita coisa mudou desde então, com maior ou menor importância.
Com cada vez mais frequência, ouço um questionamento sobre a autonomia da igreja e a soberania da mesma em sua relação com as instâncias institucionais que o conjunto das igrejas criou e mantém.
Minha batistice não permite demonizar as instituições em si, mas se inquieta toda vez com  que percebe que as mudanças propostas têm a aparência do bem,  mas são, no fundo, e às vezes explicitamente,  a tentativa de controlar processos individuais e comunitários.
Tutelar ministros e ministras já é um negócio temeroso,  mas criar um imaginário de que é a única forma legitimamente denominacional de ser pastor /a Batista é vil. E está a serviço das capilaridades da cultura dominante: branca,  letrada e viril.
A cereja do bolo indigesto desse momento é ver como alguns estão cordatamente concordando com esse discurso e essa tutela.  Na contra-mão da crescente indiferença que os colegas ministros tem dessa tutela institucional para suas vidas e ministérios.
Sou e serei uma pastora Batista legitimamente denominacional, assim como muitas colegas que vivenciaram outras formas de legitimação comunitária. Então, não pretendo ser filiada à ordem.  Minha submissão irrestrita, no entanto, a Jesus Cristo,  a sua Igreja, aos princípios Batistas e a minha própria consciência.