As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

quarta-feira, 29 de março de 2017

delicadeza se aprende?


Parece mesmo que Deus se comunica conosco através das pequenas coisas, falando em meio a muitas outras vozes no nosso cotidiano. Discernir "a voz" na polifonia diária é uma tarefa de sensibilidade espiritual, mas não apenas, é também do necessário autoconhecimento.
Participando de uma mesa redonda na UERJ estes dias, uma das doutoras compartilhava sua pesquisa e projetou no slide a interrogação de uma de suas alunas: "Delicadeza se aprende?" Nenhuma resposta foi produzida, porque nem sempre temos resposta para tudo ou precisemos dela para seguir adiante.
        Muitas vezes somente a pergunta é necessária e nada mais.
 O conhecimento é produzido pelas constantes interrogações sobre as coisas, sobre a vida, sobre tudo. A ressonância desta pergunta mobilizou outras questões igualmente importantes. Em um tempo histórico em que ao invés de nos humanizarmos mais, o pior dos seres humanos vai ganhando tônus nas redes sociais, interessar-se pela delicadeza é interessar-se por aquilo que tem a capacidade de nos encaminhar para buscar o melhor de nós mesmos. Nós, humanos ocidentais, em particular, estamos em um processo de construção civilizatória que deveria nos encaminhar para este melhor, para o máximo do que é bom e não nos embaraçarmos com comportamentos e ideias que nos fossilizam, e desumanizam, em última instância.
A delicadeza deveria transparecer nas nossas relações, porque somos carentes de cuidado.    
Somos seres de carência, seres contingentes, com algum controle sobre a própria vida, mas não controle total. Somos breves demais sobre a terra para gastar este tempo nos maltratando seja lá em nome do quê, inclusive de Deus. A brevidade e a fragilidade da vida por si só deveria fazer com que recuássemos diante de qualquer tentativa de dar poder aquilo que não acrescentará nem um dia a mais na existência e nem a tornará mais robusta.  
Dinheiro, status, poder, autoridade, razão, inteligência  e piedade não mudam em nada o destino final nos braços da indesejada das gentes.
Mas a delicadeza, sim, por exemplo. Assim como outras coisas que suavizam a vida e a morte, como a beleza, a fé, a esperança , o amor, a amizade, a bondade, a generosidade, a fraternidade. Viver, como diria Paulo Freire, ultrapassa existir. Viver com a consciência do que realmente faz sentido em uma vida sempre breve demais, frágil demais é também um convite feito pelos homens e mulheres da Bíblia que, como o salmista, compreendem:
"Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce;pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais". Sl 103,15-16 

Se possível, se tem fé, gaste seu tempo aprendendo sobre a delicadeza.  

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